A Revolução de 1910
Projecto: Mapas de Portugal
Técnica: Trabalho de Astrologia Natal e Mundana
Às 11 horas da noite, do dia 3 de Outubro de 1910, um grupo de militares revolucionários assumiu o controlo do quartel de Infantaria 16, um dos regimentos da guarnição de Lisboa, em Campo de Ourique. Sendo o grupo constituído inteiramente por praças, juntou-se-lhe, quando já passava da meia-noite, um grupo de civis armados, comandado pelo Comissário Naval Machado Santos. Pouco depois, à 1 da manhã, do dia 4 de Outubro, os revolucionários saíram para a rua em direcção ao quartel de Artilharia 1, em Campolide.
A entrada em acção dos revolucionários tinha sido precipitada pelos acontecimentos dos últimos dias. A 30 de Setembro, a polícia tinha feito uma rusga ao café preferido dos membros da clandestina Carbonária Portuguesa, o Brasileira. E no dia seguinte, o governo decidiu transferir, até ao dia 4 de Outubro, a Armada do Tejo para Cascais. Com a sua estrutura ameaçada pela polícia, e necessitando do apoio do Armada, a Carbonária Portuguesa decidiu, a 2 de Outubro, avançar para a revolução na noite seguinte.
Com o clima político já ao rubro, o médico Miguel Bombarda, um dos deputados republicanos, foi assassinado na manhã seguinte. Os republicanos rapidamente atribuíram aos membros da igreja a sua morte, quando, na realidade, o assassino era um antigo paciente. O primeiro-ministro, Teixeira de Sousa, logo que soube do atentado, colocou a guarnição de Lisboa em “estado de alerta”. O que provocou alguma hesitação entre os militares do Partido Republicano, mas que, para não deixarem os civis sozinhos perante a guarnição de Lisboa, acabaram por decidir, pelas 22h30, participar igualmente na revolução.
O plano de acção revolucionário tinha sido preparado durante o mês de Setembro, pelos anarquistas da Carbonária Portuguesa, depois do Partido Republicano ter demonstrado, em Agosto, a sua incapacidade para colocar a revolução na rua. No entanto, a Carbonária, com a sua forte base popular, necessitava do apoio da pequena burguesia urbana do Partido Republicano, para tornar “aceitável” a revolução. Ao permitir que o primeiro governo da futura República, fosse escolhido pelo Partido Republicano, a Carbonária conseguiu aumentar a base de apoio à revolução e tranquilizar as classes mais abastadas: o governo não cairia nas mãos dos populares.
Antes de analisarmos a revolução, vamos ver como estava Portugal em 1910.
Portugal em 1910
Com o Ascendente do horóscopo do equinócio da Primavera, sobre um signo duplo, Caranguejo, Portugal viveu dois ambientes distintos durante 1910. Os primeiros seis meses, de Abril a Setembro, podem ser analisados, à luz da Astrologia Mundana, através do horóscopo abaixo indicado, mas o restante período, Outubro a Março de 1911, deverá ter em conta o horóscopo do equinócio do Outono.

Considerando o período que vai do início da Primavera ao início do Outono de 1910, vemos que o governo, que controlava eficazmente e com ostentação, como o Sol indica, a economia e os meios de comunicação social, tinha um grave problema com a sua oposição, como Mercúrio em Peixes na Casa X. No entanto, e devido à recepção mútua entre Mercúrio e Júpiter, esta situação estava controlada.
Pela mesma altura, os portugueses estavam muito sensíveis a questões relacionadas com a economia, com o seu nível de vida. É disto indicadora a Lua, significadora da sensibilidade e da mudança, que se encontra mal posicionada na Casa II.
No fim do período de análise, o governo conduziu, muito mal, o seu relacionamento com a oposição externa, com os professores, com a igreja, representados por Saturno. Com Saturno mal posicionado, em Carneiro, significador de acção, e associado também à morte, tudo indicava que as instituições governamentais iriam sofreu uma acção violenta que, apesar de mal conduzida, poderia levar ao seu fim. E, nesta hora de aflição, o governo não podia contar com apoios. Estes, representados por Marte, apesar da sua atitude marcial, estavam divididos e incapazes para a acção, como o signo Gémeos e a Casa XII indicam.
Na partir de Setembro, com a passagem pelo equinócio do Outono, que corresponde a um novo horóscopo, o ambiente muda. O governo, representado agora por Saturno, encontrava-se dependente dos seus apoiantes. Estes continuam com o seu significador em Marte, muito mal posicionado, mas agora em Balança e combusto. Ou seja, nas mãos da oposição ao governo, representada pelo Sol na Casa IV. Partilham dos sentimentos da população, como a conjunção de Mercúrio a Marte indicada. Os portugueses, em geral, com o Mercúrio retrogado e combusto, acabaram também por ser levados pelos acontecimentos.

Após a instauração da República, o seu governo provisório foi bastante bem aceite, tanto em Portugal como no estrangeiro. Viveu-se um período de alegria e diversão. Júpiter, bem posicionado na Casa V é indicador nessa situação. Mais para o início de 1911, a situação piorou e verificaram-se confrontos verbais e físicos. Mas isso é história …
A Revolução Republicana de 1910
O início da revolta dos militares de Infantaria 16 representa, aos olhos da Astrologia Horária, o nascimento da Revolução. Através da análise do horóscopo desse momento podemos obter informação sobre a Revolução.

Os revolucionários da Carbonária Portuguesa são representados pela Casa I e pelo seu regente, a Lua. O exército e a marinha, suportes do regime, são representados pela Casa VII e pelo seu regente Saturno. A Lua, além de reflectir a luz do Sol, representa a mudança, a sensibilidade, a capacidade de adaptação. Encontra-se particularmente mal posicionada, na Casa IV, sem força e com o Sol, representando dos seus apoiantes, o Partido Republicano, a assumir o controlo. No entanto, e apesar da situação inicial não ser favorável, a conjunção que a Lua está preste a fazer a Júpiter é indicadora de que os revolucionários vão conseguir o seu objectivo: derrubar a monarquia e instaurar a República.
"Hoje, 5 de Outubro de 1910, às 11 horas da manhã, foi proclamada a República em Portugal na Sala Nobre do Município de Lisboa, depois de ter terminado o movimento da revolução nacional. Constituiu-se imediatamente o Governo Provisório sob a Presidência do Dr. Teófilo Braga" (Diário do Governo, 6 de Outubro de 1910)
Bibliografia:
VALENTE, Vasco Pulido, O Poder e o Povo: A Revolução de 1910, Editora Gradiva, 2004