Mapas de Portugal

Primeira Viagem de Vasco da Gama – Parte II

Projecto: Mapas de Portugal

Técnica: Trabalho de Astrologia Natal e Mundana

Na primeira parte deste trabalho analisei os anos de 1487 e 1488, para compreender os acontecimentos astrológicos que estiveram por detrás da viagem de Bartolomeu Dias. Na segunda parte deste trabalho, vou continuar com a nossa viagem, e analisar outros acontecimentos que tiveram relevância para a viagem de Vasco da Gama.

A Expulsão dos Judeus de Espanha

No ano de 1492, a Rainha Isabel de Castela e o Rei Fernando de Aragão, conquistaram Granada, o último reino muçulmano da península ibérica. Por este feito o Papa atribuí-lhes o título de Reis Católicos. Uma das consequências deste clímax de fé cristã, foi o édito de 31 de Março de 1492, que obrigava os judeus, em todo o território de Espanha, a converterem à fé cristã ou a saírem do país.

Com a expulsão dos judeus de Espanha, tivemos a sorte de poder acolher, entre outros, o mais conceituado matemático da península ibérica, o Rabi Abraão Zacuto. Já no passado, D. João II tinha utilizado os seus serviços para planear a viagem de Bartolomeu Dias, em detrimento dos especialistas cristãos, os mestres italianos. Com a sua vinda para Portugal, D. João II nomeou-o “matemático do Rei” e envolveu-o nos trabalhos sobre navegação astronómica, que vinham a ser desenvolvidos pelos seus médicos, o Mestre José Vizinho e o Mestre Rodrigo.

A 3 de Agosto do mesmo ano, Cristóvão Colombo partiu de Palos, para a sua viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia, mas por ocidente. Para não nos desviarmos do nosso objectivo, vou deixar a análise astrológica desta viagem para um futuro trabalho. Para agora, importa apenas saber que, no seu regresso, passou a barra do Tejo, a 4 de Março de 1493. O que faz com que toda a viagem tenha sido realizada durante o ano astrológico de 1492.

À luz da Astrologia Mundana , 1492 pode ser observado através do mapa do equinócio da primavera. Podemos ver Saturno, bem posicionado, na Casa I a indicar os portugueses se encontravam num período calmo, de construção lenta, mas segura, de riqueza. Esse é o sentimento geral do ano, com Saturno como Regente do Ano.

Mapa Astrológico

 

Durante esse ano, D. João II esteve particularmente focado nas crianças e no envio de embaixadas bastante generosas, como a presença de Júpiter na Casa V indica. A morte do príncipe D. Afonso, em 1491, e o pedido ao Papa para o seu filho ilegítimo, D. Jorge, lhe sucedesse no trono, está relacionada com esta informação. No entanto, as alterações verificadas em Espanha, representadas pela Lua na Casa VII e pelo Sol na Casa II, causaram prejuízo na economia portuguesa e dificuldades para as embaixadas, representadas pela quadratura do Sol a Júpiter. A nível das viagens marítimas, dos conhecimentos e dos estrangeiros, verificaram-se melhorias súbitas, com impacto na economia. Esta informação deriva da presença do Nodo Norte na Casa IX, e deverá estar relacionada com a expulsão dos judeus de Espanha.

A partir de Maio de 1492, o sub-regente da Firdaria de D. João II passou a ser Saturno, significador universal de morte e atrasos. A Revolução Solar de D. João II, para 1492, aponta para a existência de limitações, restrições e inimigos ocultos, com o regente da Revolução na Casa XII natal. De facto, o resultado da diplomacia portuguesa junto do Papa não teve o resultado esperado por D. João II. Uma informação importante, e que seria perfeitamente verificável na corte portuguesa, resulta da presença de Vénus, regente do Meio-do-Céu, posicionada na Casa VII, e a reger também a Casa V. Ou seja, D. João II tentou ter um filho legítimo, que lhe pudesse suceder no trono de Portugal. Mas também nessa área, o ano não foi propício, com vários significadores na Casa V, a impedirem um desenlace feliz.

Tratado de Tordesilhas e D. Manuel I

A 25 de Outubro de 1495, morreu D. João II. Em testamento, o trono de Portugal foi entregue ao seu cunhado e primo D. Manuel, Duque de Beja. Na realidade, a mudança na governação de Portugal deu-se em 1494, o ano do Tratado das Tordesilhas, como se pode verificar no horóscopo do equinócio da primavera desse ano.

Mapa Astrológico

Com o avanço da doença de D. João II, a atenção do país virou-se para a luta entre os pretendentes: D. Jorge, filho ilegítimo de D. João II, e D. Manuel, o irmão mais novo da Rainha D. Leonor. O regente do Ano é a Lua, o que corresponde a um sentimento geral de mudança. A população, com um sentimento de perda, com o Sol na Casa VIII, segue com atenção as acções diplomáticas mal sucedidas, representadas por Júpiter. Portugal, através dos dotes de comunicação de D. João II, consegue uma posição muito agradável a nível do conhecimento, das viagens e do estrangeiro. Vénus é indicadora disso. É deste ano a assinatura do Tratado de Tordesilhas, depois de duras negociações provocadas pela viagem de Cristovão Colombo. Por outro lado, os adversários de Portugal desenvolvem uma actividade emotiva, lenta e muito pouco racional, sobre a economia e os conselheiros do rei.

Com a ascensão de D. Manuel ao trono de Portugal, passamos a ter um novo senhor a reger os destinos do país. Infelizmente não temos nenhuma fonte segura que nos permita construir o horóscopo de D. Manuel I. O que nos deixa sem análise do comportamento do rei.

Em Março de 1496, em Leiria, é publicada a versão latina, Almanach Perpetuum , das tabelas astronómicas do Rabi Abraão Zacuto. Foi o Mestre José Vizinho, médico de D. João II, e discípulo de Zacuto, que tornou possível aos cristãos, com esta tradução de hebraico para latim, passarem a utilizar os conhecimentos astronómicos da comunidade judaica. As tabelas publicadas permitiram aos navegadores portugueses a navegação através do hemisfério sul.

Infelizmente, o interesse de D. Manuel I pela infanta D. Isabel de Aragão, filha primogénita dos Reis Católicos, levou ao édito de 5 de Dezembro de 1496, que obrigava, à semelhança de Espanha, os judeus portugueses a converterem à fé cristã ou a saírem do país. De acordo com o espírito da época, e apesar de saber da importância da comunidade judaica, D. Manuel I aceitou as condições dos sogros para casar com a herdeira do trono de Espanha. Portugal, que se encontrava num dos melhores momentos da sua história, ficou condenado a um atraso científico.

Este ano de 1496, foi um ano com muitas variantes, como a presença de um signo cardinal no ascendente indica. Na prática, termos que analisar quatro horóscopos para entender o que se passou em cada uma das estações de 1496.

Mapa Astrológico

 

O horóscopo da Primavera, que se encontra acima representado, apresenta mudanças a nível da população portuguesa, com a Lua na Casa I, a relacionar os adversários de Portugal e o conhecimento, as viagens por mar. Marte, representante de D. Manuel I, está, com algumas dificuldades, envolvido na comunicação. Verifica-se uma intensa actividade económica, com origem nas viagens por mar: os planetas presentes na Casa II estão dependentes da acção de Júpiter na Casa IX.

Os restantes horóscopos mostram que o Verão foi um período de trabalho rigoroso e lento de D. Manuel I, enquanto no Outono se verificam alterações, mal geridas, na governação, derivadas da religião, do conhecimento, da criatividade e da saúde do Reino. O Inverno monstra essencialmente dificuldade em gerir a relação com os inimigos de Portugal.

Foi ainda em 1496, que segundo alguns registos, D. Manuel I escolher o capitão-mor da nossa aventura. Segundo outros, esta já tinha sido feita por D. João II, tendo D. Manuel I apenas confirmado a escolha. Em qualquer dos casos foi nesse ano, que D. Manuel I, receoso pelo bom sucesso da empresa que se preparava para lançar, consultou o Rabi Abraão Zacuto. Que lhe disse que tal navegação teria um fim feliz e que a Índia seria descoberta por dois irmãos.

Está a reconhecer o padrão? A pergunta sobre uma questão concreta? Sim, foi uma consulta de Astrologia Horária . E, como não acredito que D. Manuel I tenha ficado satisfeito apenas com essa informação, dessa consulta também deve ter saído a data aconselhável para o início da viagem. Ou seja, uma consulta de Eleições . Infelizmente, pouco mais podemos dizer sobre esta consulta. Conhecemos o padrão relativo à avaliação das viagens marítimas, podemos dizer se uma viagem vai ter sucesso, ou não. Sabemos que a consulta foi realizada em Beja, onde então vivia Zacuto, mas sem sabermos a data e a hora a que ela foi feita, toda a informação permanece na sombra.

Fim da Segunda Parte.