Mapas de Portugal

Primeira Viagem de Vasco da Gama – Parte I

Projecto: Mapas de Portugal

Técnica: Trabalho de Astrologia Natal e Mundana

“Em nome de Deus, amém.

Na era de 1497 mandou el-rei D. Manuel, o primeiro desse nome em Portugal, a descobrir, quatro navios, os quais iam em busca de especiaria; dos quais ia por capitão-mor Vasco da Gama, e dos outros, de um deles, Paulo da Gama, seu irmão, e de outro Nicolau Coelho.

Partimos de Restelo um sábado, que eram 8 dias do mês de Julho, da dita era de 1497, nosso caminho – que Deus Nosso Senhor deixe acabar em seu serviço, Amém.”

                                                             Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama

Assim começa a descrição da mais famosa aventura dos portugueses: A Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia. O Roteiro, cujo texto inicial apresenta este trabalho, é o único documento conhecido que descreve esta viagem.

O objectivo deste meu trabalho é saber em que condições esta aventura teve início e obter o horóscopo da primeira viagem de Vasco da Gama. Para isso, vamos recurar no tempo e voltar ao ano de 1488.

O Regresso de Bartolomeu Dias

Em Dezembro de 1488, a pequena frota de Bartolomeu Dias estava de regresso a Lisboa. Com ela vinha a certeza de que o continente africano tinha “fim”. Entre o pequeno número de pessoas que ouviu o relato da sua viagem, perante D. João II, encontrava-se Cristovão Colombo. Mas tratava-se de um relato “encenado”, com as coordenadas que a colocar o Cabo da Boa Esperança bastante mais a sul. Colombo ficou convencido de que será mais rápido chegar à Índia pelo ocidente, e D. João II manteve o controlo sobre a informação.

O movimento de exploração do continente africano, segundo a Astrologia Mundana, insere-se nas grandes mudanças verificadas a nível mundial, a partir do século XIV, com as conjunções de Júpiter a Saturno a ocorrerem sobre os signos de Água. A primeira verificou-se em 1365, a segunda em 1425 e a terceira em 1484, todas sobre o signo Escorpião, regido pelo planeta Marte. Estas conjunções, representantes dos grandes ciclos de Júpiter e de Saturno, os Senhores do Tempo, quando ocorrem sobre os signos de Água, indicam grandes modificações nos padrões estabelecidos a nível mundial. No caso de Portugal, estas primeiras conjunções em Água estão ligadas ao fim da primeira dinastia, ao início da expansão marítima e à fundação do império além-mar.

Se observarmos, no horóscopo seguinte, o mapa do equinócio da primavera de 1488, podemos ver quatro planetas na Casa I (Marte, Lua, Mercúrio e Júpiter) a indicar o grande interesse de Portugal por um tema complexo que envolvia a religião, as viagens por mar, a economia e D. João II.

Mapa Astrológico

 

O Regente do Ano, ou seja, o planeta que representava o sentimento geral do ano, era Marte, que por se encontrar nesta grande “mistura” de planetas, colocava em destaque os assuntos acima indicados. Como a governação de Portugal, representada por Júpiter, se encontrava numa posição particularmente boa, foi D. João II quem marcou os acontecimentos desse ano. Podemos também dizer que, nesse ano, se verificam grandes gastos, com a presença do Sol na Casa II.

Já a partida da frota de Bartolomeu Dias, em Agosto de 1487, estava ligada ao início de regência de Marte, na Firdaria de D. João II. Nesta técnica preditiva da Astrologia Natal , o início de um período de regência é um gatilho poderoso, capaz de desencadear acontecimentos importantes.

Mapa Astrológico

E quando, em Maio de 1487, o regente da Firdaria passou a ser Marte, significador universal de acção, nesse mesmo mês, entrou também a Revolução Solar de D. João II para 1487, com Marte posicionado na Casa X. Nesta outra técnica preditiva da Astrologia Natal , a Revolução Solar, esta posição de Marte é um forte indicador de dinamismo na vida pública. Finalmente, se juntarmos a este padrão de Marte, a informação dada pelos grandes ciclos da Astrologia Mundana , passamos a ter em D. João II a capacidade geradora de grandes alterações mundiais.

Um outro exemplo desta necessidade de acção foi a partida, mais uma vez, em Maio de 1487, de Pêro da Covilhã e de Afonso de Paiva, com a missão de descobrir o reino de Prestes João e efectuar o levantamento das rotas comerciais do Oceano Índico. Tal como Bartolomeu Dias, também eles foram cuidadosamente instruídos pelos médicos de D. João II, os mestres Moisés, Rodrigo e José Vizinho.

Não é de estranhar que sejam os médicos a dar instruções sobre as viagens. Nesse tempo, a medicina utilizava as técnicas da astrologia, para diagnosticar e tratar os doentes, o que obrigava os médicos a ter conhecimentos de matemática e de astronomia. A necessidade de “levantar” o horóscopo da decumbitura (o momento em que o doente cai de cama), de calcular os humores do doente, os dias críticos da doença, e as horas exactas a que deviam ser ministrados os remédios, fazia dos médicos uns especialistas no cálculo do tempo, e no movimento dos astros. Reconhecendo o elevado grau dos seus conhecimentos, D. João II encarregou os seus médicos das mais variadas missões, entre elas, a descoberta de novos métodos de navegação marítima. E, numa época em que os cristãos, salvo raras excepções, eram manifestamente ignorantes nestes assuntos, esta profissão estava a cargo dos judeus.

Fim da Primeira Parte.