Mapas de Portugal

Nascimento de Portugal – Parte II

Projecto: Mapas de Portugal

Técnica: Trabalho de Astrologia Mundana

Na primeira parte deste trabalho, identificámos o evento que levou ao nascimento de Portugal. Trata-se da batalha de S.Mamede, travada no dia da festa de S. João Baptista, a 24 de Junho de 1128, perto de Guimarães.

Mas que acontecimentos podiamos prever para Portugal em 1128 ? Vamos analisar o ano, à luz da Astrologia Mundana , com base no mapa do equinócio da Primavera. Necessitamos apenas de saber qual seria a capital do terrritório, onde estava a sede do poder. Não existia uma capital, segundo os parâmetros actuais, tudo dependia do local onde D. Teresa residia. Nessa altura, e com Guimarães do lado de D. Afonso, D. Teresa tinha a sua residência em Viseu. Assim, temos para Portugal o seguinte mapa representativo de 1128:

A primeira consideração acerca do mapa é que as condições nele apresentadas são válidas para os primeiros seis meses do ano, isto é, até ao equinócio do Outono de 1128. Para os restantes seis meses do ano teremos que analisar o mapa do quinócio do Outono. Neste primeiro semestre, os portugueses sentiram-se diminuídos, com o governo de Portugal subordinado aos estrangeiros que vivam perto de D. Teresa. Verificam-se lutas entre os estrangeiros, por um lado, e o filho de D. Teresa e os nobres portugueses, por outro. Estes últimos são apoiados por alguns conselheiros de D. Teresa, com as finanças e os meios de comunicação do seu lado, e pelo povo português. Estava a chegar ao fim um período da história de Portugal.

 

Nesse tempo era comum manipular as datas dos acontecimentos, para lhes dar uma importância maior, uma dimensão divina. Apesar dessa possibilidade, vamos considerar que foi a 24 de Junho de 1128, no dia da festa de S. João Baptista, perto de Guimarães que se deu a batalha de S. Mamede. Poucos dias depois do solestício de Verão.

Agora que identificamos o momento, a data, o local, falta-nos apenas saber a que horas teve início a batalha. E não existe qualquer indicação nos registos, que nos permita, sequer, aproximar da hora de início da batalha.

Vamos tentar ir por um outro caminho. Nesse dia, o Sol apareceu no horizonte às 4h32 e o ocaso deu-se às 19h30. Considerando a experiência militar do principal comandante de D. Teresa, D. Fernão Peres de Trava, na aproximação das duas hostes, podemos ignorar as primeiras horas do dia e um boa parte da tarde. A primeira porque os apoiantes de D. Teresa apenas podiam montar acampamento para passar a noite, a uma distância segura dos homens de D. Afonso, e a segunda porque esses mesmos homens estariam cansados e sem condições de combater, depois de um dia inteiro de marcha. Assim, ficamos com uma janela de tempo que pode ir das 7h00 às 14h00, com maior probabilidade da batalha ter começado antes do meio-dia. Podemos também deduzir, pelo movimento de aproximação da hoste de D. Teresa, que foi este que deu inicío à batalha.

Se continuarmos a explorar esta possibilidade, apoiando-nos agora na Astrologia Horária e nas Eleições , vemos que, de entre as 7h e às 14h, podemos dizer que a batalha poderá ter tido início depois das 10h30 da manhã. Assim, se considerarmos o início do combate às 11h00, temos o seguinte mapa para a batalha de S. Mamede:

 

D. Teresa, que deverá ter dado início à batalha, encontrava-se a disputar o governo de Portugal, apoiada pelo poder (Imperador D. Afonso VI) mas sem poder contar com a sua ajuda. Esta batalha foi um acto imprudente na luta por uma causa injusta: impedir o acesso do seu filho, maior de idade, ao governo de Portugal. Com vários interesses em jogo, e não controlando D. Teresa os nobres galegos, homens experimentados na arte da guerra, a sua hoste não obedecia a uma só voz, o que perturbou o seu desempenho.

Por seu lado, D. Afonso encontra-se bem posicionado numa elevação, defendendo o acesso a Guimarães, e bem informado sobre os movimentos inimigos. Os seus homens estavam aptos para a batalha, ao contrário da maioria da hoste inimiga, que é composta por elementos de fraco valor. No terreno, o inimigo aplicou a táctica mais tradicional, sem recursos a estratagemas.

O combate decorreu rápido e sem grande mortandade, com a vitória de D. Afonso.

É uma possibilidade. Não sendo possível obter informação mais precisa sobre a batalha de S. Mamede, apenas podemos trabalhar no campo das possibilidades.

Finalmente, e para os últimos meses de 1128, e os primeiros de 1229, devemos considerar o mapa do equinócio do Outono de 1128:

Portugal chegou ao fim de um ciclo. O governo de Portugal, conquistado pelas armas de D. Afonso, encontrava ainda nas mãos de uma mulher (D. Teresa), mas passou, no início de 1129, para as dos senhores da terra, nobres portugueses, pessoas experientes. D. Afonso, na dependência dos seus aliados, distribuiu privilégios aos seus apoiantes e alterou a administração do território. A economia de Portugal passou por um período de expansão e abundância.

Chegámos ao fim. Espero que este trabalho seja do seu agrado.

Aqui fica a lista dos livros consultados durante a produção deste trabalho.

Bibliografia:

Portugaliae Monumenta Historica , Scriptores

de Alexandre Herculano

 

D. Afonso Henriques

de José Mattoso

 

Cristãos e Muçulmanos. A luta pela Peninsula Ibérica.

de Bernard Reilly

 

Viseu, Agosto de 1109, Nasce D. Afonso Henriques

de A. de Almeida Fernandes

 

Astrologia Real

de Helena Avelar e Luís Ribeiro

 

Astrologia Cristã

de William Lilly

 

El Libro Conplido en los Iudizios de las Estellas

de Alí Ben Ragel