Mapas de Portugal

Primeira Viagem de Cristóvão Colombo - Parte II

Projecto: Mapas do Mundo

Técnica: Trabalho de Astrologia Natal, Horária e Mundana

Na primeira parte deste trabalho apresentei uma breve biografia sobre Cristóvão Colombo e uma introdução aos cálculos geográficos que fizeram nascer o sonho de navegar para oriente por ocidente. Nesta segunda parte, vou falar sobre a forma com que o seu projecto foi aceite pelos Reis de Portugal e de Espanha.

O Financiamento

Pensa-se que em 1484, alguns meses após a morte da sua mulher, Colombo apresentou o seu projecto ao Rei de Portugal. O qual não foi aceite. D. João II terá remetido o assunto para os seus conselheiros, D. Diogo Ortiz, bispo de Ceuta, o Mestre Rodrigo e o Mestre José, que consideraram fantasiosos os conhecimentos geográficos de Colombo. Pode pensar-se que foi uma oportunidade perdida para Portugal, mas a verdade é que os cálculos de Colombo estavam errados, e por larga margem.

Outras fontes apontam como mais provável que a apresentação a D. João II tenha ocorrido em 1485. Analisando o horóscopo natal de D. João II, e tirando partido das técnicas preditivas, temos a Firdaria a ser regida pela Lua, até Agosto de 1485, e depois por Saturno. A Lua representa a preocupação emocional de D. João II com a sua própria imagem, com as suas relações, os seus inimigos já conhecidos. Saturno representa a imagem séria, normalmente associada a D. João II, os seus recursos financeiros e os seus amigos.

Mapa Astrológico

 

Na Revolução Solar de 1484, D. João II tinha a Lua na Casa VIII, a das perdas e da angústia. No ano anterior tinha descoberto uma conspiração da nobreza, que acabou por levar à extinção da Casa de Bragança, e nesse mesmo ano mataria, pela própria mão, o irmão da rainha, o Duque de Viseu. A Casa IX, a das viagens por mar, tinha a Parte da Fortuna, o que era uma possibilidade para Colombo, e o Nodo Sul, a representar a diminuição. Em Abril de 1484, regressa a Portugal Diogo Cão com a informação de que tinha chegado ao Reino do Congo e ao extremo sul do continente africano. Em reconhecimento pelo feito, foi armado cavaleiro por D. João II.

Mapa Astrológico

 

Na Revolução Solar de 1485, a Lua já está na Casa IX, a das viagens, mas está fraca. Saturno, o responsável pela Casa IX, está melhor mas é conhecido pela atenção, leia-se também lentidão, com que trata os assuntos. Resumindo, a oportunidade colocada por Colombo tinha poucas hipóteses de ser notada neste ambiente de conjuntura desfavorável. No final de 1485, Diogo Cão parte novamente com a dupla missão de estabelecer relações com o Rei do Congo e dobrar a passagem para o Índico. Infelizmente, apenas vai conseguir cumprir o primeiro objectivo da sua viagem.

Mapa Astrológico

 

O movimento de exploração do continente africano, analisado à luz da Astrologia Mundana, insere-se nas grandes mudanças verificadas a nível mundial, a partir do século XIV, com as conjunções de Júpiter a Saturno a ocorrerem sobre os signos de Água. A primeira verificou-se em 1365, a segunda em 1425 e a terceira em 1484, todas sobre o signo Escorpião, regido pelo planeta Marte. Estas conjunções, representantes dos grandes ciclos de Júpiter e de Saturno, os Senhores do Tempo, quando ocorrem sobre os signos de Água, indicam grandes modificações nos padrões estabelecidos a nível mundial. No caso de Portugal, estas primeiras conjunções em Água estão ligadas ao fim da primeira dinastia, ao início da expansão marítima e à fundação do império além-mar. No caso de Espanha, que vamos analisar a seguir, está ligada à unificação da península ibérica, à queda de Granada e à fundação de um império onde o sol nunca se põe.

Espanha

No ano seguinte, convencido de que não conseguiria mudar a posição do Rei de Portugal, Colombo partiu para a Andaluzia. Foi bater à porta do Mosteiro Franciscano de La Rábida, em Huelva. Aí conheceu os frades Antonio de Marchena, que Colombo iria considerar com o seu único verdadeiro apoiante para além de Deus, e Juan Pérez, um antigo confessor da Rainha Isabel I de Castela. Cedo chegaram à conclusão que apenas a nobreza ou a Coroa tinham recursos para permitir uma expedição da envergadura pretendida por Colombo. Por esse motivo, Colombo apresentou o projecto ao homem mais rico de Espanha, o Duque de Medina-Celi, dono de uma importante frota de navios mercantes. Mas podia o Duque empreender uma expedição com estas características, sem a autorização da Coroa? Esta dúvida fez com que Colombo tivesse que esperar mais seis anos por uma resposta positiva.

D. Fernando e D. Isabel eram Reis de Castela, desde 1475, e de Aragão, desde 1479. Tinham reunido numa única monarquia sete reinos – Castela, Leão, Aragão, Catalunha, Maiorca, Sardenha e Sicília – o que permitia aos monarcas ampliar o comércio e aumentar as forças ao seu dispor. Na península Ibérica, apenas os reinos de Portugal e de Navarra continuavam independentes.

No sul da Península Ibérica, e aproveitando a confusão resultante da guerra civil, o Reino mouro de Granada tinha deixado de pagar os tributos devidos ao Reino de Castela. Erro trágico! Uma vez resolvida a questão interna, a recuperação das terras de Castela, correspondentes ao Reino de Granada, passaram a fazer parte da política activa de D. Fernando e D. Isabel. No entanto, a guerra era uma empresa dispendiosa, e apenas devido à vontade férrea dos monarcas, foi possível reunir recursos e continuar a guerra pela conquista de Granada. Neste ambiente, a possibilidade de despender recursos para lançar uma expedição marítima para chegar à Índia, não tinha qualquer hipótese de êxito.

A 20 de Janeiro de 1486, Colombo fez a sua primeira apresentação perante D. Fernando e D. Isabel. O projecto foi sujeito à apreciação do Conselho Real, e Colombo passou a receber um emolumento da Casa Real, de 12 mil maravedis. Como podemos ver pelo horóscopo do equinócio da primavera de 1485, a seguir apresentado, a luta com Granada e o fortalecimento do poder real não permitiam a realização de uma expedição à Índia. Esta aparece representada por Saturno o que é um indicador de atrasos e burocracia. De facto, o Conselho Real apenas chegaria a uma conclusão em 1491, seis anos depois, e ainda por cima negativa. Por outro lado, as exigências de Colombo - queria ser almirante, nobre titular, vice-rei das terras que descobrisse, e receber as respectivas rendas - deixaram D. Fernando profundamente irritado. Colombo tinha que procurar mais apoios e esperar por melhores dias. Felizmente, D. Isabel tinha ficado interessada na possibilidade de evangelizar os povos do Oriente.

Mapa Astrológico

Granada acabaria por render-se a 2 de Janeiro de 1492, e abrir uma janela de oportunidade para Colombo. Após um novo encontro com os monarcas, e de meses de negociação, D. Isabel apresentou a Colombo, a 17 de Abril de 1492, um contrato, conhecido com as Capitulações de Santa Fé, que satisfazia as condições exigidas por Colombo e lhe permitia comandar uma frota de três navios rumo à Índia por ocidente.

“después de haber echado fuera todos los judíos de todos vuestros reinos y señoríos, en el mismo mes de Enero mandaron vuestras Altezas á mí que con armada suficiente me fuese á las dichas partidas de India“

Bartolomé de las Casas, El Primer Viaje

 

Podemos analisar o ano de 1492, através do horóscopo do equinócio da Primavera.

Mapa Astrológico

 

Na Revolução Solar de 1492, Saturno, que representa a população, encontra-se particularmente bem na sua própria casa. A opinião pública, representada pela Lua, está atenta aos inimigos de Espanha. A economia encontra-se particularmente activa, com quadro, sim quatro planetas, presentes na Casa II, e o regente Júpiter igualmente bem posicionado na Casa V. O Sol e Marte encontram-se particularmente fortes e representam gastos consideráveis. Mercúrio está fraco e Vénus está ainda mais fraca, representando dificuldades no comércio e na arte. As viagens marítimas, representadas pela Casa IX, com um Nodo Norte presente, são regidas por um Marte forte, igualmente na Casa II, mas combusto. Temos acção e temos engrandecimento. Embora a exaltação de Júpiter diga que os resultados económicos não corresponderam às expectativas.

 

Fim da Segunda Parte.